Projeto Lontra

O fotógrafo João Farkas decidiu colocar a arte em favor da preservação ambiental, mais especificamente do Pantanal.  Para isso, organizou a iniciativa ‘Documenta Pantanal’, uma série de ações para documentar o patrimônio natural, compartilhar as imagens, e por meio das discussões geradas, preservar. São exposições no Brasil e no exterior, documentários, livros e vídeos que celebrarem a beleza e a biodiversidade desse ecossistema e buscam chamar a atenção da sociedade para a urgência em conhecer e preservar esse patrimônio.

Projeto Lontra

“O desconhecimento de sua verdadeira realidade impede um aproveitamento econômico maior do turismo, inclusive um turismo internacional de qualidade. Há uma espécie de cegueira cognitiva. Talvez porque temos tantas outras coisas belas e mobilizadoras, como a Amazônia, a Mata Atlântica e um vasto litoral, o Pantanal fica meio ignorado. É preciso colocar a região no radar dos brasileiros. Imaginamos que é um território inatingível, preservado, cheio de jacarés e piranhas, ideal para pescarias. Mas é muito mais do que isso. Um universo natural riquíssimo a ser melhor conhecido e explorado e protegido por nós”, diz João Farkas.

Esforço coletivo

Com a participação de instituições que atuam na região pantaneira, a iniciativa reúne pesquisadores, empresários e a própria comunidade, para, em conjunto, mobilizar a sociedade para as questões primordiais desse bioma que é a maior extensão de área alagada do planeta de forma contínua. O ‘Documenta Pantanal’ tem também por objetivo, promover constante diálogo entre as forças produtivas, academia, instituições e organizações na busca de soluções implementáveis de consenso.

“Por meio de ações coordenadas direcionadas, numa estratégia de ativação e mobilização multinível, o ‘Documenta Pantanal’ foi desenhado para falar com um público amplo,procurando aproximar pesquisadores, acadêmicos, produtores ligados ao agronegócio, grupos com interesses em conservação, turismo, jornalistas e educadores. Com essas ações queremos que o Pantanal esteja na agenda da opinião pública brasileira e de organismos e instituições ligados a questões que dizem respeito ao Pantanal”, afirma a produtora Mônica Guimarães, participante e uma das organizadores  do projeto.

Foto: John Farkas
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Pantanal preservado – ações do Documenta Pantanal

Documentário, blog e livro: com Jorge Bodanzky na direção e co-direção de João Farkas, o documentário chama-se “Ruivaldo – O Homem que Salvou a Terra”. Com 45 minutos de duração, foi filmado em várias regiões do Pantanal e está em fase de finalização. Com página no Instagram (www.instagram.com/documentapantanal/), um blog (http://documentapantanal.com.br) e um canal no You Tube, que contarão não somente com material produzido por Farkas, mas outros projetos que tenham relevância e sejam de autores diversos, com a intenção de se tornar um hub de difusão e convergência, armazenando informações e conteúdos distintos. “Os vídeos serão especialmente produzidos pela equipe, a fim de dar relevância e visibilidades nas mídias sociais às questões do Pantanal”, antecipa Farkas.

Livro –  “Pantanal”, com tiragem de 1.500 exemplares e que acompanhará as mostras e exposições de fotografias, conta com a participação do professor de Ciências Biológicas e Ambientais Sandro Menezes Silva. “Fui convidado pelo Farkas para colaborar. Conheci o Pantanal como visitante em 1984 e, quase 20 anos depois, comecei a trabalhar na região. Desde então, foram muitas expedições e muita pesquisa em busca de informações”, diz. A obra, que deverá ser finalizada até setembro, é uma edição fotográfica de 160 páginas impressa em cinco cores em formato 50 x 35 cm aberto, com desenho do estúdio Máquina Estúdio sob a responsabilidade de Kiko Farkas.  Além da venda em livraria e acompanharem cada mostra e exposição, parte dos exemplares será doada a bibliotecas públicas.

Exposições – Com a intenção de gerar maior visibilidade ao Pantanal, a documentação fotográfica – fruto de quatro anos de trabalho e sete expedições à região – é o cerne de um circuito de exposições no Brasil e no exterior. Começou em novembro de 2018, com a exposição “Brazil Land & Soul”, de Farkas, que teve sua primeira mostra com 40 imagens na embaixada brasileira em Londres, registrando um público de mais de 2.000 pessoas. Em paralelo à mostra ocorreu um seminário sobre as questões do ecossistema, reunindo especialistas brasileiros e internacionais neste bioma na discussão de alternativas de desenvolvimento sustentável e preservação, com ênfase, também, nas possibilidades turísticas.

Com a grande repercussão da exposição em Londres, surgiu o convite para outra exibição europeia, na embaixada brasileira em Bruxelas.  O material, cedido pelo fotógrafo para a Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar, reúne imagens com dimensões que variam de 100 x 70 cm a 150 x 100 cm e são dispostas horizontalmente sobre o solo segundo concepção da brasileira Marina Willer (sócia do Pentagram Studios de Londres). A intenção é proporcionar ao visitante a sensação visual de estar sobrevoando o território pantaneiro, replicando, dessa forma, a maneira como as imagens, muitas delas aéreas, foram produzidas. Esta mostra, que no Brasil terá o nome de “Documenta Pantanal”, poderá ser vista pelo público no Brasil ainda no segundo semestre em data a ser definida.

Participantes do ‘Documenta Pantanal’

João Farkas, Mônica Guimarães, Sandro Menezes Silva, Teresa Cristina Ralston Bracher, Agrotools, Associação Onçafari, Editora Vento Leste, Fazenda Fazendinha (Aquidauana/MS), Fazenda Barraco Alto (Aquidauana /MS), Fazenda Figueiral (Corumbá/MS), Fazenda Santa Tereza (Corumbá/MS), Fazenda São Camilo (Corumbá/MS), Fazenda São Francisco do Perigara (Barão de Melgaço/MT), Fazenda Vera Lúcia (Aquidauana/MS), Acaia Pantanal, Instituto Arara Azul, Instituto Homem Pantaneiro, Leão Serva, Luciano Candisani, Marcia Hirota, Marina Klink, Marina Lutz, Miguel Milano, Onças do Rio Negro, Panthera Brasil, Porto São Pedro (Corumbá/MS), Raquel Machado, Rede Nacional Pró Unidades de Conservação, Refúgio Ecológico Caiman (Miranda/MS), RPCSA – Rede do Amolar, Silas Ismael e SOS Pantanal.

Sobre João Farkas

João Paulo Farkas sempre esteve em contato com a fotografia. Graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, é fotógrafo profissional desde 1979, com especialização na School of Visual Arts e no International Center of Photography de Nova York (1980-1981). Foi fotógrafo correspondente das revistas Veja e Isto É e também trabalhou como editor de Fotografia. Ganhou o prêmio ABERJE e Bolsa Vitae de Artes/Fotografia. Seus trabalhos fazem parte de importantes acervos e museus brasileiros e integram o acervo do ICP – International Center of Photography – Nova York, Maison Européenne de la Photographie, em Paris, e Tulane University (New Orleans), entre outros.

Sobre Mônica Guimarães

Produtora de cinema e teatro, Mônica Guimarães produz há 16 anos o ‘É Tudo Verdade -Festival internacional de Documentários’ e é proprietária da Mog Produtora, que é proponente do documentário “Ruivaldo – O Homem que Salvou a Terra”.  Uma das organizadoras do ‘Documenta Pantanal’ ao lado do biólogo Sandro Menezes e de Teresa Bracher (produtora rural e diretora da Acaia Pantanal), Mônica, entre outras atividades, é responsável pela difusão de informações do blog entre todos os participantes do projeto.

 Sobre Sandro Menezes Silva

Professor de Ciências Biológicas e Ambientais na Universidade Federal da Grande Dourados, Sandro Menezes Silva esteve pela primeira vez no Pantanal em 1984, quando ainda era estudante de Ciências Biológicas. Desde 2005 passou a trabalhar na região, fator que permitiu que passasse a conhecê-la melhor por meio de expedições e pesquisas.

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