Projeto Lontra

O Global Sustainable Tourism Council (GSTC) vai realizar sua próxima conferência de 4 a 8 de dezembro nos Açores, em Portugal e, por isso, o Via Sustentável, como media partner do evento, entrevistou com exclusividade o presidente Conselho de Administração do GSTC, Luigi Cabrini para entender o papel do Brasil neste movimento.

Velma Gregório: O GSTC tem uma estratégia para ampliar o relacionamento da organização no Brasil?

Luigi Cabrini: O GSTC está aberto a todos os países, organizações, empresas e indivíduos que acreditam que o turismo sustentável é a resposta para o crescimento contínuo desse setor. O Brasil é um importante destino turístico, com imensos recursos e muitas atrações únicas. Estamos prontos para ajudar na aplicação dos critérios do GSTC e programas relacionados a organizações públicas ou privadas do Brasil. O GSTC realizou uma de suas reuniões em Bonito, Mato Grosso do Sul, em 2014. Bonito foi o cenário ideal para o nosso evento, pois pudemos ver um destino de ecoturismo bem gerenciado que aplicou práticas sustentáveis. Ficaríamos felizes em organizar outros eventos no Brasil.

Velma Gregório: Como estão as discussões sobre como aumentar a conscientização das empresas no mercado de turismo para o turismo sustentável?

Luigi Cabrini: Acredito que alcançamos um progresso muito importante na sensibilização do setor público e privado sobre a importância de levar em consideração os quatro pilares da sustentabilidade (ambiental, social, econômico e cultural) ao projetar e implementar estratégias de turismo. Alguns dos principais players são membros de nossa organização, como a TUI, uma das maiores operadoras de turismo ou Airbnb. Elaboramos critérios para destinos, hotéis, operadores turísticos e a indústria do turismo como um todo, que servem como referência para o planejamento do turismo e para melhorar a eficácia da certificação no turismo. O GSTC possui um programa para credenciar certificadores de turismo, a fim de garantir que eles atendam aos padrões globais de sustentabilidade.

Velma Gregório: Como envolver os viajantes a tomar consciência de sua responsabilidade de exigir do mercado o turismo sustentável?

Luigi Cabrini: A mudança para um turismo mais responsável se origina tanto das empresas quanto dos clientes. Cada vez mais os viajantes exigem que o hotel em que estão hospedados atenda a certos padrões, em conservação de energia, em evitar desperdícios, em contribuir para reduzir as emissões que causam o aquecimento global, etc. Do ponto de vista das empresas, a sustentabilidade se tornou uma vantagem competitiva, não apenas pela redução dos impactos negativos que a sociedade espera hoje, mas também pela maior qualidade do produto que oferece. Um destino sustentável oferece experiências mais autênticas, melhores condições ao visitar atrações naturais ou culturais, etc.

Velma Gregório: Como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) apoiam o GSTC na demonstração da responsabilidade que as empresas de turismo devem ter pelo turismo sustentável ?

Luigi Cabrini: Fizemos uma análise de como cada um dos 41 critérios do GSTC pode contribuir para a consecução de um ou mais dos ODS que está disponível em nosso site. O turismo é mencionado explicitamente em três dos ODS, mas pode ter um impacto muito mais amplo devido à sua transversalidade e vínculos com muitos outros setores.

Velma Gregório: Qual é o maior desafio hoje para o turismo se tornar uma atividade verdadeiramente sustentável no mundo?

Luigi Cabrini: O crescimento contínuo da população global e do número de turistas é um sério desafio. Acredito que a abordagem correta é melhorar passo a passo, reduzindo os impactos negativos e melhorando os benefícios. Muito foi feito, mas ainda há muito a ser alcançado pelos setores público e privado. Eficiência energética, gestão da água, proteção da biodiversidade, equilíbrio entre o turismo e os moradores locais, são apenas alguns dos desafios à frente.

Velma Gregório: Como os brasileiros podem contribuir com o GSTC?

Luigi Cabrini: Qualquer envolvimento dos governos central ou local e de qualquer empresa seriam muito bem recebidos por nós. Tanto o GSTC quanto aqueles que decidem se envolver em nossas atividades podem se beneficiar dessa cooperação. Participar da conferência é uma grande oportunidade para qualquer organização brasileira interessada em participar e aprender sobre nossos projetos e idéias.

luigi cabrini

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