Projeto Lontra

Cusco e Machu Picchu são lugares lindo, mas chegou a hora de dar chance a outras dicas de viagem ao Peru e descobrir muito mais sobre este país que fica perto do Brasil e é tão rico em experiências. Como sede dos Jogos Panamericanos 2019, o legado dos jogos pode ser ainda maior com o desenvolvimento do turismo em regiões menos visitadas.

Viajar pelo Peru, mesmo que você escolha um destino de aventura, nunca vai ser um roteiro sem muita história e boa comida. Agora, se busca emoção de verdade, visitar a Amazônia peruana para conhecer Gócta, a terceira maior cachoeira do mundo, é um roteiro imperdível. Caminhar pela floresta que, apesar de ser continuação da nossa, tem lendas e histórias próprias, é um programa bem diferente e fora dos padrões.

REGIÕES PERUANAS

Projeto Lontra

O Peru é o terceiro maior país da América do Sul e é dividido em três grandes regiões, Costa, Serra e Floresta, com características muito distintas que surpreendem pela diversidade. Atravessado pela Cordilheira dos Andes, o país é a terra dos antigos Incas, uma civilização que se desenvolveu em harmonia com a natureza. Sua cultura ainda hoje se revela nos costumes locais, apesar de mesclada com o mundo hispânico, afinal, o Peru foi colonizado pelos espanhóis. Os peruanos são muito abertos aos brasileiros, têm curiosidade em saber do nosso país e nos recebem com alegria e dedicação. Não há necessidade de visto para brasileiros se a permanência for de até 90 dias, mas é necessário que o passaporte esteja válido no momento da entrada no País.

A diversidade geográfica do Peru faz com que as temperaturas variem muito entre uma cidade e outra. Na costa norte, há sol o ano todo. Já na costa central, onde fica Lima, quase nunca chove, mas há altíssima nebulosidade e umidade. Na Serra, a temperatura varia muito no mesmo dia. E na Selva, que é parte da Floresta Amazônica, o clima é tropical. Assim, a melhor época para visitar o Peru, independentemente da região escolhida é de abril a outubro, mas é sempre bom recomendar que a mala dos viajantes tenha roupas para todas as temperaturas.

Hospede-se no Peru

LIMA, UMA METRÓPOLE COM CHARME

Em geral, a chegada ao País se dá por Lima, a capital do Peru. Aí está a primeira oportunidade de transformar uma viagem de negócios, de gastronomia ou uma simples conexão de uma cidade grande em uma delícia de destino. Para que isso aconteça, é fundamental que o cliente perceba o valor de receber atendimento diferenciado, com um roteiro que otimize a sua estada.

Lima hoje é um dos principais destinos gastronômicos do mundo e já há uma disponibilidade de informações sobre os restaurantes e chefs mais famosos. Mas e o que fazer entre uma refeição e outra? Ter um bom guia em uma cidade grande otimiza o tempo, proporciona conhecimento sobre a cultura peruana e ajuda nos traslados entre uma atração e outra.

Num mesmo dia, por exemplo, é possível conhecer a Huaca Pucllana e almoçar em seu restaurante de cozinha clássica, passear por Miraflores até o Parque del Amor, onde está a escultura O Beijo, do artista peruano Victor Delfin, e, se tiver bom tempo, saltar em parapente. Outro plano de um dia é fazer um curso de culinária peruana, aprender a fazer Pisco Sour, ou ainda escolher aulas de como produzir chocolate, almoçar, sair para um passeio no centro histórico e terminar para uns drinks e jantar no Barranco, a charmosa zona de bares onde está também a ponte dos suspiros.

Outro programa imperdível a ser incluído em roteiros é o de visita ao Mercado de San Isidro. Não pela construção, mas para conhecer a variedade infinita de frutas, legumes e ingredientes culinários diferentes dos brasileiros, com destaque para a granadilla, uma variação local de maracujá muito doce, as pimentas e as mais de 1.500 espécies de batatas. Depois de comer a comida feita no Peru eles serão inesquecíveis.

Lima tem muitos encantos culturais para entender a história do país. Os museus Pedro de Osma e Larco Herrera guardam tesouros antigos e já o Museu Mário Testino (MATE), do peruano conhecido como fotógrafo das celebridades mundiais, reúne história em fotografia. Sem contar a arte religiosa que está nos museus das Igrejas do Centro Histórico, como a Catedral de Lima e o Convento de São Francisco.

CHACHAPOYAS, UM AR DE DESCOBERTA

Diferente da urbanidade de Lima, Chachapoyas é o destino de quem gosta de emoção e aventura. A cidade fica no meio da Amazônia peruana e é a porta de entrada para passeios que ainda estão sendo descobertos pelos turistas – a trilha para a cachoeira de Gócta e o sítio arqueológico Kuélap.

É uma viagem longa, mas por isso mesmo traz a essência do exótico. De Lima, há um vôo da LATAM para a cidade de Jaén, o que facilita um pouco a vida, mas de lá são pelo menos quatro horas de carro até Chachapoyas. O aeroporto de Jaén já é uma atração. Na verdade é uma pista supermoderna, mas o aeroporto é uma pequena construção inscrustrada nas montanhas. E já dá o tom peculiar da viagem. Não espere muito da cidade, que não oferece atrativos de nenhum tipo, o passeio de verdade ainda está por vir.

A estrada até Chachapoyas tem apenas 185 km, mas são tantas curvas em uma pista simples de mão dupla que o trajeto leva umas quatro horas para ser cumprido. Contudo, em compensação, todo o caminho segue o fluxo do rio Utcubamba, que corta um vale montanhoso dos Andes Amazônicos, com paisagens muito diferentes das brasileiras. Difícil é não parar o tempo todo para curtir a vista. Então não resista e pare para observar e tirar fotos maravilhosas.

12 KM DE TRILHA PARA CONHECER GÓCTA

A cidade de Chachapoyas é uma das mais antigas do Peru, tem aproximadamente 25 mil habitantes com charme de cidade do interior. Oferece uma rede de hotéis diversificada para atender aos diversos perfis de turistas que chegam até lá, dos mochileiros aos que buscam mais conforto e exclusividade. Apesar de histórica, Chachapoyas é o centro urbano que atende aos viajantes que gostam de se aventurar durante o dia. Dois passeios são imperdíveis e recomendamos que se reserve um dia inteiro, pelo menos, para cada um deles.

Dica de viagem ao Peru: Gócta

O primeiro é a trilha para Gócta, a terceira maior catarata do mundo. São seis quilômetros de trilha pela selva, ou seja, 12 quilômetros de ida e volta. O caminho é íngreme e, em média, são necessárias seis horas de caminhada entre a ida e a volta.

O mais interessante é que, mesmo sem preparo físico, é possível fazê-la. Só que a cavalo! Eles podem ser alugados por 30 Soles a 50 soles no povoado de San Pablo, que fica a cerca de 50 quilômetros de Chachapoyas e é a porta de entrada da trilha.

A trilha tem partes em pedra, em chão batido, em lama, e ainda é bastante rústica. Não há ambulantes no caminho, nem barulhos que não sejam da rica natureza de uma floresta tropical. A temperatura é fria na maior parte do ano e, mesmo com o esforço físico, é preciso usar uma blusa de frio leve e carregar uma outra de proteção para a chuva – ainda que não chova, próximo da catarata não há como não se molhar.

Enfim, três horas de caminhada vendo a cachoeira de longe, é muito emocionante chegar ao final da trilha e dar de cara com ela. A temperatura abaixa muito, a água é gelada e a emoção é indescritível. Conhecida pelos moradores da região há séculos, os guias contam que essa catarata só foi revelada ao mundo recentemente em razão das várias lendas de encantamento que afastavam os locais de suas águas. Assim, Gócta só foi apresentada ao mundo em 2005, pelo explorador alemão Stefan Ziemendorff.

Dica de viagem ao Peru: Kuélap

O segundo passeio também é de aventura, mas agora com visita a um sítio arqueológico mais antigo que Machu Picchu. Trata-se da Fortaleza de Kuélap, a cidade das nuvens. A três mil metro de altitude, os chachapoyas, povo pré-inca, construíram uma muralha gigante para nivelar a montanha pelas laterais e obter uma plataforma alta para em cima dela fundar uma vila de casas circulares, sem cantos, para evitar os maus espíritos. São cerca de 400 casas, todas em pedra, decoradas com losangos e zigue-zagues, típicos da cultura Chachapoyas, que existiu entre 500 d.C e 1470 d.C. Apesar da cidade ter apenas três entradas pelas quais só passa uma pessoa de cada vez, Kuélap foi tomada pelos Incas antes da chegada dos espanhóis. Com o fim do império Inca, Kuélap ficou abandonada e só foi redescoberta em 1843.

Para chegar até lá, o governo peruano inaugurou um sistema de teleféricos que parte de Nuevo Tingo, a 50 quilômetros de Chachapoyas, De lá, toma-se o teleférico que tem extensão de quatro quilômetros, numa viagem de aproximadamente 20 minutos que, por si só, já é uma atração turística. Na verdade é um desafio para quem tem medo de altura. Da chegada do teleférico, há uma caminhada de subida de uns dois quilômetros que também pode ser feita a cavalo.

AREQUIPA, UM ESTADO PARA SE VIVER

O conceito de turismo vivencial ou turismo de base comunitária está completamente claro no Estado de Arequipa, que fica no sul do Peru, na região de serra. Desde a capital, até os pequenos povoados do Vale del Colca, Arequipa é uma região para se viver cada detalhe.

Começando pela capital, que leva o mesmo nome do estado, ou departamento, como chamam os peruanos. Arequipa é praticamente toda construída em pedra de sillar, uma rocha de origem vulcânica, típica da região, que é um dos motivos que dão à cidade o título de “A cidade branca”. É considerada como Patrimônio Cultural da Humanidade, o que faz de uma simples caminhada pelas ruas uma emoção. E tudo isso com vista para o vulcão Misti. Ele pode ser observado de vários pontos da cidade, mas é mais especial ainda a partir do distrito de Yanahuara, que também faz parte da província de Arequipa.

Mesmo sendo um lugar que vale a visita apenas por estar na cidade, Arequipa ainda guarda encantos. Não só pelo fato de ser o local onde nasceu o escritor peruano mais famoso, Mario Vargas Llosa, como pelas construções e histórias do Monastério de Santa Catalina e da Catedral de Arequipa. Sem contar os vários pequenos centros de compras que ficam em pátios internos muito charmosos. Aliás, fazer compras de souvenir e artesanato locais é um programa em todas as cidades do departamento.

De Lima a Arequipa o vôo é feito em uma hora e meia. Apesar de ser uma cidade de médio porte, com seus quase um milhão de habitantes, Arequipa tem ares e espírito de interior. Seus moradores ainda se reúnem na Praça de Armas para conversas ao fim do dia e passear pelas ruas do centro da cidade é seguro, mesmo à noite.

Conta com uma rede de hotéis de todas as categorias, incluindo as de luxo, com o Casa Andina Premium . Sua culinária típica também é diferente e surpreendente, ou seja, há um roteiro gastronômico a ser feito só com os pratos e restaurantes típicos da região. Como as picanterias. As mais típicas estão na periferia de Arequipa, já que elas se originam entre os agricultores que, quando voltavam da lida, encontravam apenas pequenas porções das comidas que haviam sido preparadas para o almoço e as comiam todas juntas. Hoje, o hábito se transformou em uma tradição. É possível comer comidas típicas da picanteria no centro de Arequipa, como na La Benita de Los Claustros. Em uma única refeição se come alpaca, cuy (porquinho da índia), porco, camarões em pequenas porções muito temperadas e picantes.

Dica de viagem ao Peru: Mirador dos Condores

Para fora da cidade grande, um dos programas que fazem parte do roteiro pelo Departamento de Arequipa é o do Mirador dos Condores, uma oportunidade de ver esses pássaros que são os maiores do mundo em seu habitat natural, no Canion del Colca. A atração fica a aproximadamente 200 quilômetros de Arequipa, mas como as estradas são sinuosas, o trajeto deve durar pelo menos seis horas. Claro que no Peru uma viagem de carro não é simplesmente um trajeto. É uma experiência. Por quilômetros e quilômetros o viajante convive com a imagem do Sabancaya, o único vulcão em atividade do país, além das plantações em terrazas, como nas civilizações incas e os 14 povoados do Vale del Colca. Com tudo isso, o destino final pode ser apenas um pretexto para viver o que há de mais inusitado – o próprio caminho.

Como a altitude é acima dos quatro mil metros do nível do mar, a recomendação é de que a primeira parte do trajeto seja até um dos povoados para que se possa descansar e acostumar o corpo. No meio do caminho, nas paradas, sempre há chá de coca, a planta sagrada dos peruanos, e folhas de coca para mascar. Tanto o chá quanto a folha ajudam a lidar com a altitude. É importante saber que como é uma região desértica, as temperaturas caem bruscamente à noite, sempre abaixo de zero, e só voltam a subir com o nascer do sol.

Os povoados são muito simples e próximos uns dos outros, como Chivay e Yanque, além de muito parecidos entre si. Mas a cultura de cada um é peculiar e merece a visita. Em Yanque, por exemplo, pela manhã as moças dançam o Wititi em volta do chafariz da praça central, em um ritual local. Em Chivay, o artesanato típico, que inclui as roupas e os chapéus que a população local usa cotidianamente, é um atrativo especial.

Já em Sibayo, o turista pode não somente conhecer o povoado, que é todo construído em pedra em um vale com vista para três vulcões, mas também se hospedar nas casas dos moradores, comer da sua comida e vivenciar o cotidiano desses agricultores. O povoado se organizou em cooperativa para receber os turistas com a gentileza e cordialidade típicos dos peruanos. Não há luxo, mas há muito calor humano.

Enfim, o Peru é um destino avassalador que faz valer cada minuto da viagem. Basta dar uma chance para sair do roteiro tradicional e oferecer novas oportunidades aos viajantes.

Leia também: Jogos Panamericanos em Lima 2019

INFORMAÇÕES ÚTEIS

Moeda: Novo Sol (nuevo sol ou simplesmente soles)

Câmbio: S/ 1 = R$ 0,90*(cotação em julho de 2019). Em Lima há várias casas de câmbio. Na capital alguns poucos lugares aceitam dólar americano como pagamento, mas a moeda local é realmente a melhor opção.

Gorjeta: É um ato voluntário e não obrigatório. Apesar disso, deixar o equivalente a 5% ou 10% da conta em bares e restaurantes indica satisfação com o atendimento. Também é delicado destinar de S/ 2 a S/5 (por dia de hospedagem) para a camareira e por volta de S/ 5 ao carregador de malas na chegada e na saída (se o serviço for utilizado).

Idioma: Espanhol. Os peruanos ainda falam Aimara e Quéchua

Fuso horário: A diferença em relação ao horário de Brasília (DF) oscila entre 2 e 3 horas, dependendo da época do ano. No nosso horário de verão, os relógios marcam 3h a menos em Lima;

Documentação: Documento de identificação com foto ou passaporte válido no momento da entrada.

Visto: Não é necessário até 90 dias.

Vacinação: Não há exigências, contudo, para grupos que vão à região de floresta, recomenda-se tomar vacina contra a febre amarela pelo menos 10 dias antes da viagem.

Embaixada do Brasil em Lima

Endereço: Avenida Jose Pardo, 850, Miraflores

Telefone: (00511) 512-0830

Plantão Consular: (51) 985 039 263 Email: embaixada.lima@itamaraty.gov.br

 

LOCALIZAÇÃO E CLIMA

O Peru está localizado na parte ocidental da América do Sul. Seu território faz limites com Equador, Colômbia, Brasil, Bolívia e Chile. É o terceiro maior país da América do Sul e um dos 20 mais extensos do mundo. O Peru é um país muito diversificado, conta com 11 ecorregiões e 84 zonas de vida, das 117 existentes no mundo. Possui uma enorme multiplicidade de paisagens devido às suas condições geográficas, o que, por sua vez, lhe proporciona uma grande diversidade de recursos naturais.

QUANDO IR

O melhor período para visitar o Peru é de abril a outubro. De novembro a março é o período de chuvas, o que deixa as estradas mais enlameadas e dificulta o acesso aos passeios. Contudo, se o destino é Lima, essa não é uma restrição.

DICAS DE HOSPEDAGEM

 Lima: Hotel Jose Antonio http://hotelesjoseantonio.com/

Chachapoyas – Casa Hacienda Achamaqui – http://achamaqui.pe/

 RECEPTIVO

A Viajes Pacífico www.viagespacifico.com.pe é uma operadora local com um serviço de receptivo impecável, atento aos detalhes. Além de oferecer pacotes para todos os destinos dentro do Peru, atua com respeito às comunidades locais. Seus guias são locais e muitos falam português.

GUIAS DE TURISMO

Em Lima: Miguel Colan Meza https://www.facebook.com/miguel.colanmeza

Em Chachapoyas: Carlo Magno Inga https://www.facebook.com/Carlo.Inga.Guia.Kuelap

GÓCTA

Entrada geral para a Catarata Gocta: 10 Soles – menores de 18 anos pagam 5 Soles
Guia local com visita a uma queda da Catarata Gocta: 30 Soles
Guia local com visita as duas quedas da Catarata Gocta: 50 Soles
Aluguel de cavalo: 30 Soles

Para saber mais: www.peru.travel/pt-br/

KUÉLAP

Horário de atendimento ao público, das 8h às 16h

Tarifa: 20 Soles pelo traslado e entrada na Fortaleza de Kuélap

Tempo de visita: 3 horas

Bagagem: Uma bolsa de até dois quilos.

 

Velma Gregório viajou ao Peru a convite da Promperu com seguro-viagem Affinity

Matéria originalmente publicada na Edição Impressa do Brasilturis (805)

 

 

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